Guerra na Ucrânia atinge agricultura, e ministra diz já ter 'plano A e plano B'
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

A ministra Tereza Cristina, titular do Ministério da Agricultura, já fez um levantamento dos múltiplos problemas que o Brasil pode enfrentar por causa da guerra da Rússia contra a Ucrânia. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

 

De acordo com a publicação, a importação de fertilizantes, trigo, soja, outros grãos e carne para a Rússia e a Ucrânia podem ser afetadas.

 

“O ministério avalia que, como o mundo todo, sofreremos impactos. Mas ainda não está claro o tamanho deles. É preciso tranquilidade e cautela. Temos muitas alternativas, e já estamos estudando todas elas. Temos plano A e plano B”, afirmou a ministra à coluna.

 

O mais imediato obstáculo é a importação de fertilizantes, fundamentais para a agricultura. O Brasil adquire no exterior 85% do volume aplicado nas lavouras. A Rússia responde por cerca de 30% do suprimento ao país. A Belarus, nação aliada de Vladimir Putin, por cerca de 20%.

 

O Brasil já vinha enfrentando problemas para comprar os fertilizantes da Belarus -o cloreto de potássio, produzido pelo país, é um dos fertilizantes mais usados por agricultores brasileiros nas culturas de soja e milho.

 

Em novembro do ano passado, a ministra Tereza Cristina viajou à Rússia para tentar contornar o problema e aumentar a garantia de fornecimento de fertilizantes, evitando que eles faltem no Brasil, o que pode impactar no preço dos alimentos da safra deste ano.

 

Tereza Cristina afirma que, caso o comércio de adubos da Rússia para o Brasil seja inviabilizado, há alternativas. “O potássio é o maior problema. Mas podemos comprá-lo do Canadá, de Israel, do Chile, de Omã”, disse.

 

O Brasil importa 60% de tudo o que consome de trigo e uma parte desse volume vem da Rússia. Porém, a maior parte das compras é feita na Argentina, EUA e no Canadá. A alternativa poderia ser aumentar a importação desses países.

 

O terceiro problema é a exportação de soja brasileira para a Rússia. Com as sanções, os navios russos podem ter dificuldade para transportar o produto, o que pode afetar as vendas.

 

De acordo com a coluna, a Rússia importou 768,2 mil toneladas de soja em 2021, ou US$ 343,2 milhões, esse é o principal produto exportado aos russos.

 

O país compra também proteínas no Brasil, com destaque para a carne de frango. Foram 105,8 mil toneladas embarcadas no ano passado, ou US$ 167,1 milhões.