Por meio de documento enviado nesta segunda-feira, a Fifa pediu para a CBF enviar “uma explicação jurídica detalhada” da decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) da última quinta, que determinou que o diretor mais velho da CBF assuma a presidência e coordene um novo processo eleitoral.

Essa decisão acabou sendo suspensa graças a um acordo entre CBF e Ministério Público do Rio de Janeiro (o autor da ação). Mas a interferência da Justiça Comum no futebol não passou despercebida pela Fifa.

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Na carta enviada nesta segunda à CBF – à qual o ge teve acesso -, a Fifa ressaltou de maneira explícita que “as associações membros da FIFA são obrigadas a administrar seus negócios de forma independente e sem influência indevida de terceiros” e que “qualquer violação dessas obrigações pode levar a possíveis sanções, conforme previsto nos Estatutos da Fifa”.


Entre essas possíveis punições, estão a suspensão de times brasileiros de competições internacionais e a exclusão do Brasil da Copa do Mundo. Na semana passada, a Fifa suspendeu as federações de Quênia e Zimbábue por interferência do governo em suas entidades.

No entanto, ninguém na Fifa ou na CBF acredita que a situação pode chegar a algo tão grave no caso do Brasil. A CBF tem até 4 de março para responder ao pedido da Fifa.

O presidente interino da CBF, Ednaldo Rodrigues, se encontrou recentemente com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, no Mundial de Clubes, em Abu Dhabi. Na ocasião, segundo quem participou das conversas, Infantino manifestou preocupação com a situação da CBF — que atravessou 2021 em crise por causa das denúncias de assédio sexual e moral contra Rogério Caboclo, agora definitivamente afastado da entidade.

O pedido da Fifa também será tema de conversas entre Rodrigues e o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, que vem ao Brasil nesta quarta-feira para a decisão da Recopa, entre Palmeiras e Athletico-PR.

A CBF convocou uma Assembleia Geral para o dia 7 de março, com o objetivo de elaborar novas regras eleitorais para a entidade. Uma nova eleição deve ser convocada em seguida, com Ednaldo Rodrigues como favorito.

Por Martín Fernandez / GE