Pazuello nega ter ignorado propostas da Pfizer e é repreendido: 'Há interesse em protelar'

 

Pazuello nega ter ignorado propostas da Pfizer e é repreendido: 'Há interesse em protelar'
Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado

Com o avanço do depoimento do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, ele voltou a entrar em conflito com o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e o presidente, senador Omar Aziz (PSD-AM). O embate se deu após às 11h20 desta quarta-feira (19), quando o emedebista deu início às perguntas relacionadas às ofertas de vacina da Pfizer.


Mais uma vez, Pazuello se dedicou a longas respostas sobre as tratativas (veja aqui), o que irritou os parlamentares. "São respostas simples, mas há interesse de protelar", criticou Aziz.

 

O general, então, frisou que a gestão deu diversas respostas a Pfizer, o que contesta os depoimentos do gerente-geral da farmacêutica na América Latina, Carlos Murillo, e do ex-secretário especial de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten (saiba mais aqui e aqui).

 

"Nós tivemos 20 respostas pra Pfizer", disse Pazuello, se referindo ao período de agosto a setembro do ano passado. "Eu tenho todas as comunicações da Pfizer, a resposta à Pfizer é uma negociação, estou falando de dezenas de reuniões. Sempre foi: 'Sim, queremos comprar. Mas não posso comprar se você não flexibilizar tal medida, não ajudar na logística de entrega", exemplificou.

 

Posteriormente, Renan questionou por que ele não assumiu a negociação e Pazuello respondeu que era impedido de comandar as tratativas por ocupar a posição de ministro. "O senhor deveria saber disso", alfinetou, provocando reações contrárias e favoráveis dos senadores presentes na sessão. Para evitar maiores conflitos, o general acrescentou, em seguida, que o cargo não o permitia assinar os contratos, o que deve ser feito no âmbito do setor administrativo.

 

De volta às respostas, Pazuello também declarou que os órgãos de controle vinculados à União foram contra a assinatura de um memorando com a Pfizer. "Mandamos para os órgãos de controle. A resposta foi: 'não nos ajudamos positivamente'. CGU, AGU, todos os órgãos de controle, TCU... E nós assinamos mesmo com as declarações contrárias porque, se nós não assinássemos, a Pfizer não entraria com registro na Anvisa", justificou.

 

Ele argumentou que, no início da negociação, as exigências da empresa americana foram consideradas "assustadoras". Como exemplo, o general cita cinco cláusulas: uso de ativos brasileiros no exterior; isenção completa da responsabilidade por efeitos colaterais; transferência do fórum a Nova York; assinatura do presidente da República no contrato; e não existência de multa em caso de atraso nas entregas.

 

CPI DA PANDEMIA
Eduardo Pazuello é a oitava pessoa a depor na CPI da Pandemia. Antes dele, os senadores colheram depoimentos dos ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, do atual ministro Marcelo Queiroga, do diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, do gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, do ex-secretário especial de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, e do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

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Autor emcimadanoticia

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