Dono de caiaque e funcionário são indiciados por morte de garoto em Juazeiro; vítima foi obrigada a sair de embarcação, conclui investigação


O dono da empresa Caiaques do Vale e um funcionário dele foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, pelo afogamento do adolescente Diogo Lira Ferreira, de 16 anos, na cidade de Juazeiro, no norte da Bahia. A informação foi divulgada pela Polícia Civil nesta terça-feira (9). O inquérito sobre o caso foi concluído e remetido para o Ministério Público da Bahia (MP-BA) na semana passada. Os nomes dos dois indiciados não foram divulgados.

Diogo Lira morreu no feriado do dia 7 de setembro deste ano, quando passeava com um primo e dois amigos, em um trecho do Rio São Francisco. O grupo estava em um dos caiaques alugados pela empresa, que atua na região. A família de Diogo acusou o dono da empresa de ter dado ordens ao funcionário para que expulsasse o garoto e um amigo do caiaque.

Na época, a empresa negou que os meninos tivessem sido obrigados a sair da embarcação. No entanto, conforme a polícia, as investigações confirmaram a denúncia da família do adolescente. O caso está sob análise do MP, que decidirá se vai ou não oferecer denúncia à Justiça. Enquanto isso, os dois suspeitos aguardam em liberdade.

Caso

Diogo Lira Ferreira retornava da Ilha do Fogo para a orla de Juazeiro, no Rio São Francisco, quando, no meio do trajeto, a embarcação, que tem capacidade somente para duas pessoas, teria virado duas vezes.

Na época, o amigo de Diogo, que preferiu não ser identificado, contou que todos conseguiram retornar para o caiaque, mas, em seguida, o funcionário da empresa Caiaques do Vale, ao ver que o caiaque tinha virado, teria utilizado outra embarcação para alcançar os jovens e, irritado com o excesso de passageiros, obrigado dois deles a descer - ele e Diogo.

"Eu e ele estavamos com colete, e os outros dois não estavam [com colete]. Fomos atravessar o rio e o caiaque virou duas vezes. O cara mandou o funcionário dele. E o cara chegou lá com raiva e disse: 'tira o colete, deixe o caiaque e vão nadando'", contou o amigo de Diogo, que conseguiu nadar até a costa.

Após o caso, Diogo se afogou e sumiu no rio. O corpo dele foi achado minutos depois por um salva-vidas. Na época, a empresa informou, por meio de nota, que os jovens teriam decidido terminar a viagem nadando, diante do alerta do excesso de pessoas no caiaque, mas um não teve resistência e se afogou. A empresa ainda disse que lamentava o ocorrido e que se solidarizava com a família da vítima.

Confira nota da empresa na íntegra:

"A Caiaques do Vale lamenta o ocorrido, ao tempo em que se solidariza com a família da vítima do acidente ocorrido na manhã desta sexta-feira (7) no Rio São Francisco. Lembramos ainda que todas as orientações sobre o uso correto dos caiaques alugados em nosso estabelecimento são passadas para todos os usuários, bem como os equipamentos de segurança obrigatórios. O caiaque alugado tinha capacidade para duas pessoas, mas ao retornarem da Ilha do Fogo, os dois tripulantes ofereceram carona a mais duas pessoas, e diante do alerta sobre o excesso de pessoas na embarcação, dois deles resolveram terminar o trajeto nadando, sendo que não um não teve resistência e veio a se afogar. Mais uma vez lamentamos o ocorrido e nos colocamos à disposição para qualquer esclarecimento".

Fonte: G1 Bahia
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Autor emcimadanoticia

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